Por: Redação Notícia de Limeira | Publicado em 10 de novembro de 2020

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 Para preservar o imóvel e evitar danos futuros à estrutura, toda a rede de água e de esgoto será revisada e substituída

 Um dos mais importantes prédios históricos de Limeira, o Palecete Tatuibi, começa a ser restaurado. O local, que já serviu de residência para a família de Maria Thereza de Barros Camargo e dr. Trajano de Barros Camargo, entra em obras graças a uma contrapartida do hospital Unimed, por meio da aplicação de um mecanismo legal denominado “outorga onerosa”.

 Os trabalhos compreendem a recuperação completa da estrutura do prédio, com reforço da fundação em alguns pontos e remoção de trincas, restauro de vitrais, portas e janelas, substituição parcial e reconstituição de revestimentos cerâmicos, pisos e ladrilhos hidráulicos. Novos revestimentos serão colocados no banheiro e na cozinha.

 O telhado do casarão também passará pelo processo de revitalização. Haverá limpeza, revisão e substituição de telhas danificadas, troca integral de calhas e condutores, além de restauro e instalação de forros. O projeto prevê, ainda, a construção de calçadas externas ao redor da edificação e pintura nova, tanto na parte externa quanto interna.

 Para preservar o imóvel e evitar danos futuros à estrutura, toda a rede de água e de esgoto será revisada e substituída. Esse cuidado será complementado com a instalação de rede de drenagem de águas pluviais, colocação de chapas metálicas na subcobertura (para evitar infiltração de água das chuvas) e adoção de sistema de combate a incêndios.

 Após a conclusão do restauro, o local deve abrigar o Centro de Memória de Limeira. Para tanto, as intervenções irão contemplar normas de acessibilidade para pessoas com deficiência e instalação de elevador. Ainda visando adaptar o casarão a essa nova finalidade, a instalação elétrica será substituída, para permitir a conexão com rede de internet e de telefonia, equipamentos de ar-condicionado, alarmes, entre outros.

 História

 O Palacete Tatuibi foi idealizado para ser uma casa de veraneio, e por esse motivo, era conhecido como a “Casa da Chácara”, informa o secretário de Urbanismo, Matias Razzo. Segundo ele, não é possível definir a data de construção do imóvel, bem como a autoria do projeto.

 Entretanto, a partir de fatos históricos, como o registro de mudança para a chácara do cel. Flamínio Ferreira de Camargo (pai de dr. Trajano), em 1901, é possível constatar que a edificação já existia no início do século 20. “O casarão serviu como morada do cel. Flamínio e de sua família até seu falecimento”, relata o secretário.

 O imóvel, ainda de acordo com Razzo, passou por diversas alterações em seu desenho original ao longo dos anos para “adaptar-se ao contexto social de cada época”. Uma dessas intervenções teria ocorrido no período em que Maria Thereza foi prefeita de Limeira, quando ampliou a casa para adequá-la à necessidade de reunir no mesmo espaço, a família e o trabalho.

 “Essas mudanças incluem a construção da sala dos vitrais (possível relação com o famoso ateliê de vitrais Casa Conrado) e de dois banheiros, um no quarto principal e outro no pavimento dos dormitórios – este último, com acesso à entrada de serviços”, comenta o secretário.

 Na década de 1960, Maria Thereza fez a doação da chácara ao município, por meio de um acordo. O primeiro uso institucional do prédio foi para abrigar o Fórum da Comarca de Limeira, durante o período de construção da nova sede do órgão. De 1960 a 1997, o casarão foi ocupado pela Câmara Municipal. Na sequência, tornou-se sede da Secretaria Municipal de Educação, que ficou no local até a mudança da pasta para o Parque Cidade, em 2006. Desde essa época, o palacete permanece fechado.

 Outorga Onerosa

 A Outorga Onerosa é um instrumento previsto na legislação municipal que prevê a construção de imóveis acima dos limites previstos no zoneamento, mediante o pagamento de uma contrapartida. No caso da Unimed, que está ampliando suas instalações no centro da cidade com a construção de um novo prédio, houve entendimento entre a prefeitura e o Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial Ambiental de Limeira (Complan), de que essa contrapartida seria o restauro do casarão.

 Em 2016, a prefeitura publicou a Lei Complementar 770/16, que criava a “Zona de Intervenção Estratégica ZIE-4 Unimed”. A medida abriu caminho para que o hospital iniciasse uma série de trâmites legais para a aprovação do projeto de restauro do prédio e a definição do valor da contrapartida.

 Protegido pelo “Interesse Histórico” desde 2009, pela Lei 442/2009, o imóvel está em processo de tombamento. Por esse motivo, Razzo esclarece que todo o projeto precisou da aprovação do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico do Município de Limeira (Condephali).

 Em setembro último, a Secretaria de Urbanismo e o hospital firmaram um “Termo de Compromisso” para sacramentar o valor da contrapartida, de R$ 2.121.731. Desse total, R$ 163 mil referentes aos projetos arquitetônico e de engenharia e R$ 1.958.731 na execução da obra. No mês passado, a prefeitura transferiu para a Unimed a responsabilidade pelo imóvel até a conclusão das obras (a data ainda não está definida).

 Localizado ao lado do Bosque Prefeita Maria Thereza, no centro da cidade, o casarão já está fechado com tapumes e algumas árvores que ofereciam risco à edificação foram removidas (com licenciamento ambiental adequado). As obras começam nos próximos dias e serão executadas por etapas, por empresas especializadas, contratadas pela Unimed. (Da redação portal Notícia de Limeira)


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